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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Meditação em I Coríntios 13 – Versículo 2

 

Versículo 2: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, senão tiver amor, nada serei.”

Várias vezes vemos a Palavra retratar o dom de profetizar como sendo o dom supremo. E de fato é, afinal consiste em através do Espírito Santo, declarar coisas sobre a vida de alguém com autoridade, coisas tais que são a resposta de Deus para aquele momento, e a manifestação verbal do que Deus deseja e vai fazer. Existe uma passagem em Atos que retrata um homem piedoso que possuía quatro filhas virgens que profetizavam, e é interessante que o autor escreveu isso no relato, pela grandiosidade que representava. O dom de profetizar representa a plenitude da manifestação do Espírito Santo.

Conhecer mistérios era algo profundo que apenas os mais estudados desfrutavam. Os escribas eram uma parcela dos judeus que se aplicava nos estudos e nos mistérios, e descobrir esses mistérios era algo extremamente incrível. O mesmo vale para a ciência, porém com um tom isento do espiritual. A ciência consiste em estabelecer hipóteses lógicas e entrelaçadas que justifiquem ou expliquem fenômenos observados. Um cientista que se aplica se destaca entre os outros. A reputação dele é consequência do quanto ele conhece da ciência. O mais incrível é a palavra “todos” antes de mistérios e “toda” antes de ciência, o que significa conhecimento pleno de TUDO o que existe.

A fé fala por si só. Sabemos que sem fé é impossível agradar a Deus, e o que é a fé? É a certeza de coisas que se esperam, e a convicção de fatos que não se veem, segundo o livro de Hebreus. Fé é o que possibilita alguém crer no sobrenatural da mesma forma que enxerga o natural, e assim, produzir sinceridade no contato com Deus, e prontidão em agir sobrenaturalmente segundo a ordem dEle. Transportar montes não é algo fácil de se imaginar, porque vemos o monte como uma formação rochosa fortemente encravada no solo, com milhões de toneladas, e não como um amontoado de matéria aglutinada por Deus para um propósito específico, mas que representa para Ele a mesma dificuldade de remoção do que um pedaço de algodão.

A grande verdade é que não existe “pecadinho” e “pecadão”, para Deus existe o pecado. Não existe o monte e o pedaço de algodão, existe um aglomerado de matéria, que se Deus quiser mover, Ele irá. Nós classificamos o “tamanho” do pecado pelas consequências que ele traz, e classificamos o peso da matéria pela capacidade da nossa força em movê-la. Fé é o que muda as coisas em nossa mente, e nos faz agir e pensar com liberdade em Deus, possibilitando ações sobrenaturais dEle por meio de nós.

Dom de profetizar, conhecimento de todos mistérios e toda a ciência, fé a ponto de transportar montes... Todas essas coisas são a caixa de ferramentas dos sonhos de um apóstolo. Paulo escreveu nesse versículo, semelhantemente ao primeiro, à respeito de coisas que ele muito considerava importantes. Com tais ferramentas, não haveriam restrições à obra, certo? Errado.

“Se não tiver amor, nada serei.” Ual! Esse tal de amor é realmente incrível não? Como é possível que ele seja fator tão decisivo, a ponto de inutilizar todos esses itens incríveis, caso esteja ausente? A questão é muito simples. O amor nos exige que sejamos como Jesus, enquanto que os outros itens não. É possível ter grande fé e um enorme conhecimento sem amar, mas quando se ama de verdade, então é o Próprio Cristo vivendo através daqueles por quem morreu e ressuscitou!

 

Ter qualidades incríveis nos torna homens excelentes, mas ter um coração que ama nos torna discípulos de Jesus.

“E nisto conhecereis que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns para com os outros” (Jo 13.35)

 

Graça e paz,

Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Meditação em I Coríntios 13 – Versículo 1

 

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.”

Se existisse alguém capaz de falar todas as línguas existentes, certamente essa seria a pessoa mais comunicativa de todas. Não haveria empecilhos para a comunicação.

Mas existe algo que é importante lembrar, o contexto da vida do autor dessa frase. Paulo era um apóstolo, alguém que viajava de lugar em lugar para pregar o Evangelho, e o grande impedimento que poderia surgir era justamente o saber falar a língua dos povos. Creio que quando ele fala sobre falar as línguas, ele estava querendo retratar a eficiência que isso traria à Obra.

Ele diz que mesmo que tivesse tal incrível capacidade, que pudesse se comunicar com todos os povos e anjos, se não tivesse amor, ele seria como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

O bronze é usado para fazer aqueles gongos na China, como vemos no filme. Provavelmente já deve ter visto também aqueles pratos de metal que são batidos um contra o outro e fazem o maior barulho. Creio que devemos prestar atenção a fundo nessa comparação! Olhe a força desses instrumentos! O barulho a poucos metros deles é ensurdecedor, e o gongo, por exemplo, pode ser ouvido a uma distância enorme.

Mais uma vez, creio que Paulo está nos referenciando algo na Obra. Esses instrumentos simbolizam a eloquência, a capacidade de passar uma informação a um grupo enorme de pessoas, a eficiência da pregação. Mas... Paulo não fala deles como algo bom, ele diz que sem amor ele seria tal qual eles. E o que há de ruim em falar a língua de todos os povos e anjos, e ainda por cima com a eloquência de um gongo um ou címbalo?

Estes instrumentos não possuem vida em si, não produzem nada por espontaneidade, e uma linguagem não é mais do que um código de comunicação, sem a informação ela não faz sentido. O dicionário possui todas as palavras de uma língua, mas nunca vi ninguém usar um dicionário como conselheiro.

Não adianta falar todas as línguas com a eloquência de um gongo, porém sem amor.

Todas as nossas capacidades ou destrezas, de nada valem se não tivermos amor. E esse amor vai muito além do que pensamos. Ele não nos exige capacidade alguma, apenas determinação em amar e continuar amando, perseverar dia a dia amando.

Que Deus abençoe você.

Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Uma saia saindo de casa por causa de que?

 

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É manhã de sábado ainda um pouco fria em Nova Iorque, o inverno indo embora expulso pela primavera que chega com todo ímpeto. Julie sai cedo de casa e mais uma vez abandona seus filhos aos cuidados da rua, e entra de cabeça em mais uma jornada de trabalho de 14 horas, conquistando seu próprio espaço. Embora seu marido viva a encorajando a permanecer em casa ela está cansada de ser menosprezada pela sociedade machista, e trabalha quase dois expedientes todos os dias para provar que mulher não é o sexo frágil, e podem tanto quanto ou mais do que os homens. Os filhos Antony e Susan estão cada dia mais rebeldes e desleixados, a preguiça impera no lar e Robert já não aguenta mais ter de lidar com o emprego e os serviços de casa deixados para trás por sua esposa. Susan diz que quando crescer quer ser como a mamãe, e vez ou outra começa a dar ordens ao irmão mais velho.

Julie entra no bonde e se espreme por entre homens e outras mulheres. Mal sabe ela que hoje algo muito ruim acontecerá na fábrica onde trabalha, e que muita coisa mudará depois desse dia. Ela sobe até o nono andar do edifício de Triangle Shirtwaist, onde trabalha costurando. São 6  horas da tarde e faltam 3 horas para o fim do expedinte, uma fumaça começa a invadir a ala oeste e Julie erra a costura. Seus olhos começam a arder e ela percebe que precisa fazer algo. O pânico toma o lugar e as mulheres passam por cima uma das outras para chegar às duas saídas que existem, para conseguir acesso às escadas, mas… é tarde demais… uma delas está trancada, e a outra tomada por fumo e chamas. Julie começa a pensar no pior que pode estar por vir, e corre para a escada de emergência onde dezenas de mulheres tentam descer. Barulho de ferro retorcendo, a escada começa a se desprender e despenca, 8 andares, transformando mães, filhas e esposas em corpos esmagados sem dó nem piedade.

Acabou. Julie sabe que vai morrer, mas resiste até perceber que as chamas chegaram até onde ela está. Ao ver suas colegas gritanto, corpos deformados e um cheiro horripilante de carne e sangue queimando. O que fazer?  Nada. De repente, Julie é tomada por um sentimento estúpido de sobrevivência, ela perde a razão enquanto padece queimaduras de terceiro grau, e ao ouvir as janelas se estilhaçando pelo calor… ela corre para sua morte, e salta, 9 andares até o chão insólito. Seu corpo agora está irreconhecível, nu e terrívelmente queimada, esmagada pelo impacto.

25 de março de 1911, o último dia da vida de Julie e de outras 145 mulheres, ironicamente 6 dias após a comemoração do terceiro dia Internacional da Mulher, naquele ano comemorado no domingo anterior, dia 19. E o que aquelas mulheres ganharam? Nada.

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Robert ficou louco ao ver o que restou da esposa naquele caixão de madeira  rude, e foi internado e morreu anos depois. Os pais dele tomaram conta dos netos que cresceram complexados e confusos. Antony, sem a presença do pai se tornou um homem sem atitude e passou a exigir que sua esposa trabalhasse fora de casa também. Susan se tornou líder do sindicato das costureiras, e orgulhosamente incorria no mesmo erro da mãe, abandonando o lar, marido e filhos para “ser alguém”. A imagem que ambos tinham da mãe era de uma guerreira, mulher trabalhadora e que lutava pos seus ideais, e que morreu fazendo o que mais gostava de fazer: trabalhar como costureira. Não havia lembranças de uma mãe, de uma educadora, de uma esposa, de uma administradora do lar, nada disso, afinal… isso era tudo o que Julie não era.

O dia 8 de março é comemorado como sendo o dia da mulher, comemoração às conquistas da mulher do início do século XX em diante. Mas será mesmo que devemos nos orgulhar dessas mulheres? O que será que o Senhor Deus pensa disso?

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Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.
O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo.
Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.
Provérbios 31:10-12

Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas.
Provérbios 31:15

Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca.
Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado.
Não teme a neve na sua casa, porque toda a sua família está vestida de escarlata.
Provérbios 31:19-21

Faz para si cobertas de tapeçaria; seu vestido é de seda e de púrpura.
Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra.
Provérbios 31:22-23

Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça.
Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva.
Muitas filhas têm procedido virtuosamente, mas tu és, de todas, a mais excelente!
Provérbios 31:27-29

Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.
Provérbios 31:30

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A descrição da mulher virtuosa na passagem de Provérbios 31 mostra uma mulher comprometida com o lar, marido e filhos. Ela toma isso como sendo sua máxima responsabilidade e honra sua função com empenho e determinação.

Se Deus escolheu as coisas para serem assim, porque é que mulheres largam os lares? Porque surge dentro delas o desejo de “ser alguém”. Essas mulheres passam a crer que somente o que os maridos fazem tem valor, e então tentam copiá-los e saem para trabalhar.

Se repararmos bem, a mulher virtuosa de Provérbios 31 tem muitas outras atividades além das familiares, mas essas atividades jamais são colocadas acima de sua função máxima. A mulher virtuosa está determinada a largar qualquer dessas atividades se servirem de laço para realização do que Deus deseja para elas.

É claro que isso que estou dizendo se aplica às mulheres casadas, e não às solteiras. Assim como seria um absurdo exigir de homens solteiros as responsabilidades de provedor e líder de um homem casado. Cada coisa a seu tempo.

Mas falando de mulheres casadas, vou dizer o que pra mim é ser uma mulher virtuosa:

- Uma mulher que ama a Deus, e diligentemente ensina a seus filhos o caminho do Senhor.

- Uma mulher que jamais passa por cima da autoridade do marido, mas confia nele e o edifica por meio da oração e jejum.

- Uma mulher que cumpre com constância os deveres do lar, que sabe cozinhar e lavar, que é caprichosa e prendada.

- Uma mulher que é uma com o marido nas finanças, e não abusa jamais dos recursos da família para si mesma.

- Uma mulher que não se dobra aos filhos, mas os disciplina e educa no Senhor, com toda sabedoria.

- Uma mulher que anima e fortifica o marido quando este chega cansado do trabalho, sempre o levando a agradecer ao Senhor, mesmo em tempos difíceis.

- Uma mulher generosa e caridosa, que tem uma visão ampla do Reino de Deus e deseja ardentemente realizar a Sua Obra.

- Uma mulher de oração, que está acostumada a render aos pés de Cristo suas dificuldades e lutas, se abrindo também sempre com o marido e o fazendo saber do que se passa no íntimo de sua alma.

- Uma mulher que não se adere aos conceitos mundanos de moda, mas é recatada, discreta e sabe se manter guardada para o marido.

Para mim, são mulheres assim que merecem a nossa admiração, elas sim são verdadeiras heroínas e transformam diariamente seus lares em habitação da Paz de Cristo. Isso sim é ser uma mulher de verdade! Elas não precisam declarar o imposto de renda, nem possuem FGTS, mas vencem diariamente em tudo aquilo que Julie falhou em seu lar.

Se isso fosse hoje um padrão, o dia 8 de março seria esquecido, pois TODOS os dias, milhares e milhares de homens ajoelhariam aos pés de suas camas e glorificariam a Deus pelo grande presente que receberam dEle, suas auxiliadoras idôneas, que TODOS os dias viverão ao seu lado, zelando pelo lar pelo qual esses homens trabalham incansavelmentem, formando o retrato exato da família que o Senhor planejou para serem.

Nós...

Eu sei que vou viver essa alegria, e dou graças ao Senhor, pela família que para a Glória dEle, eu e minha amada noiva formaremos.

Que o Senhor abençoe os lares, e corrija os corações de homens e mulheres que tem invertido suas funções, e aderido ao modelo do mundo. Que diminuam o número de maridos molengas, mulheres cabeças, filhos rebeldes, e lares destruídos.

Graça e Paz a todos.

Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O que é a vontade de Deus?

 

Dezenas de ministérios no Brasil dizem seguir fazendo a vontade de Deus. Livros e livros são escritos, templos são edificados, músicas gravadas, pregações renomadas e muitas outras coisas tem sido feitas em nome dessa vontade de Deus. Mas será que entendemos ao certo o que é a vontade de Deus?

Vejamos o que Jesus diz a esse respeito:

“E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.” João 8:29

Jesus disse que Deus não o deixou só por quê? Porque ele fazia sempre o que lhE agradava. Trinta e três anos fazendo essa vontade de uma forma plena e perfeita. Vejamos algumas passagens:

“Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?
E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão.” Mateus 9:14-15

Se o correto de acordo com os ensinamentos tradicionais de Israel era que jejuassem, porquê os discípulos de Jesus não? Isso era a vontade de Deus?

“Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.” Mateus 15:2

Mesma situação, os discípulos de Jesus, seguidores dEle, naquele momento trangrediam as leis dada pelos profetas e por Moisés. Vontade de Deus?

“E aconteceu que, no sábado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam.
E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados?” Lucas 6:1-2

Os discípulos de um judeu, trabalhando no sábado? Vontade de Deus? Ah… mas aí pode ser que alguém diga: “Guilherme, vc só está dando exemplos de coisas que os discípulos de Jesus fizeram, e não de coisas que Jesus fez…”.

Bom então vamos lá…

“E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado.” Lucas 13.14

Curando aos sábados? E a lei??

“E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.” Lucas 15.2

Comendo com pecadores? Como assim? Vontade de Deus?

“E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?” Marcos 2.16

Ops… de novo hein?

“E, estando ele em betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça.” Marcos 14.3

Na casa de um leproso, e como se não bastasse, permitir que uma mulher fizesse isso? Numa época que até falar com uma mulher em público era contra a lei? Isso também era vontade de Deus?

Pode acreditar… tem muito mais exemplos de onde esses vieram…

Nessa hora, muitos ficam confusos… como é possível que tudo isso fosse vontade de Deus? A resposta é muito simples: é porque a vontade é de… Deus. Jesus não seguia um caderninho de leis, Ele ouvia e obedecia a voz de Deus.

 

Temos a incrível mania de misturar as coisas. Começamos a querer criar padrões e lógicas pra vontade de Deus, até que a tornemos na nossa vontade. Frases comuns como: “A voz do povo é a voz de Deus”, “Se Deus quiser, e Ele quer!” entre outras, só revelam uma tentativa de dobrar essa vontade de Deus e ainda assim parecer que é correto.

Deus possui a vontade dEle, e nós não podemos adivinhá-la, para sabermos o que Ele quer, temos que ouvir dEle.

Moisés esperou sete dias no Sinai até ouvir Deus falar com Ele. Os profetas clamavam e esperavam que Deus falasse quando Ele quisesse. Jesus ia orar várias e várias vezes buscando a vontade do Pai, e nunca, nunca alguém conseguiu forçar a Deus a falar qualquer mínima coisa.

A vontade de Deus não pode ser forjada. Não pode ser inventada. Não pode ser deduzida. Deus sabe falar! Nós é que muitas vezes não sabemos ouvir.

Deus nos manda levar mantimentos a uma família, nós vamos e de tão empolgados que ficamos com o resultado, decidimos que vamos vender a casa e ir pra África. Se Deus colocar no coração de alguém a ir pra África, ELE colocará, porque qualquer coisa que façamos pra Ele, mas que não seja o que Ele quer que façamos, se torna pecado.

Deus nos toca a pegar o violão e tocar um cântico em uma rodinha, e aí porquê todos se semsibilizaram eu decido que o “MEU” ministério é a música e tenho que gravar um CD, dizendo que Deus me escolheu pra ser levita? Levita? Levitas são os descendentes de Levi, tribo de Israel, que servia no Templo, o Templo cujo véu Deus rasgou e depois o transformou em um montão de pedras. Figurativamente, todos aqueles que são discípulos de Jesus são “levitas”, porque lhes cabe fazer a obra DE DEUS.

Fazer o bem só é realmente fazer o bem se é o que Deus quer. De nós não procede bem algum, se isso não for gerado em nós por Deus.

Deus tem uma obra a ser feita, e tudo nessa obra deve ser feito de uma forma precisa e idêntica à vontade dEle. É por isso que Ele deu ordens tão rigorosas sobre a construção do Tabernáculo no deserto. Ele não aceita que as coisas sejam feitas à nossa maneira, e jamais aceitará.

Se quisermos fazer a vontade de Deus, primeiro precisamos ouvir a Deus. E esperar o tempo que seja necessário para Ele falar, desobstruir nossos ouvidos espirituais através de uma vida de santidade, de rendição diária a Deus, e só então ouvirmos a Deus, descobrirmos dEle a vontade que lhE apraz, e cumpri-la.

Deus não nos manda carregar nada que Ele não quer, e muitas vezes a caminhada é difícil porque estamos carregando muitas pedras na mochila que Ele não nos pediu que carregasse.

Jesus é simples, e simples o Seu evangelho. E talvez pela simplicidade desse evangelho muitos o queiram incrementar, “enfeitar”, não entendendo no entanto que TUDO o que for feito em adição é inútil para gerar transformação em vidas, porque não foi Deus que instituiu.

A vontade de Deus é que as almas de tantas e tantas pessoas não sejam lançadas no inferno, feito para satanás e seus anjos caídos. Essa é a vontade de Deus. Tudo o que Deus nos pedir vai visar isto, de forma simples e clara, tudo foca nesse objetivo, a fazermos discípulos, batizando-os em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou. (Mateus 28.18-20)

Não é necessário pompa, nem púlpitos, nem templos, nem nomes e placas, nem ministérios diversos, nada disso, apenas um coração simples e resolvido o suficiente para falar sobre um evangelho simples, porém unicamente eficaz para cumprir com o Propósito de Deus.

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.” João 15.10

Que Jesus nos direcione a essa verdade a cada dia, nos limpe de nós mesmos, e nos preencha com aquilo que Ele deseja, e que dEle procede.

Graça e paz,

Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.

terça-feira, 13 de março de 2012

Que lógica faz?

Eu estava lendo a Palavra essa manhã, no livro de Levítico, e me deparei com as leis sobre o que comer e não comer, sobre as ofertas de sacrifício pelo pecado, sobre o que fazer com o leproso entre outras. Ao ler eu buscava um sentido para tudo aquilo sem entender nada, mas perseverei na leitura até que deu a hora de ir trabalhar e então fechei a Bíblia. Quando voltava do trabalho agora a pouco eu voltei a lembrar daquelas coisas que li e comecei a buscar por explicações lógicas… até que Deus enfim me revelou o problema justo aí… eu buscava a lógica.

Lógica pode ser entendido resumidamente como um padrão que permite comparações e assim a construção de idéias. Com a lógica é possível “adivinhar” o que acontecerá em uma situação semelhante, por exemplo: o ovo bóia na água salgada, e afunda na água doce, sendo assim se misturarmos as águas, em algum instante ele ficará no meio do caminho, sem boiar nem afundar. E acreditem, isso funciona.

Agora te darei um outro exemplo: Você o som de um carro lá fora, e tenta imaginar a marca dele. Você escuta o barulho e presume, sendo o som de uma camionete, e sendo a marca mais comum na sua cidade a Mitsubishi, que aquele carro é uma Mitsubishi L200…

Porém quando vai lá fora você percebe que na verdade era um caminhão pequeno!

A razão pela qual você errou é exatamente porque a forma como você cria a lógica depende unicamente dos seus cinco sentidos: Visão, Audição, Paladar, Olfato e Tato. É impossível você analisar qualquer coisa sem usar um desses sentidos, e sendo assim, a lógica é escrava das nossas limitações humanas. Agora pense um pouco, quantos sentidos possui Deus? Reflita um pouco nisso…

Não existem sentidos pra Deus, afinal os sentidos só podem ser definidos pelas suas limitações, concorda? Uma pessoa que é surda só percebe que é surda ao ver duas pessoas conversando com palavras, o mexer dos lábios que para ela não é mais do que movimento, para os outros é uma comunicação estabelecida. Sem as limitações não há forma de definir os sentidos!  Deus não é limitado, e assim não é possível definir sentidos para Ele. Além disso, Ele é o Criador de tudo e não precisa de um padrão comparativo que defina as coisas que Ele mesmo criou e sabe perfeitamente como são e como funcionam.

A lógica é a tentativa do homem de recobrar o conhecimento que perdeu no Éden, quando decidiu ser seu próprio Deus. Se eu quiser eu posso até me chamar de pássaro, mas ainda assim eu não vou voar. O homem se considerou Deus, mas… continuou preso àqueles cinco sentidos carnais. Ele era completo em Deus, porém no dia que se tornou independente, viu que estava nu. Viu que não sabia explicar o funcionamento e a existência de nada! Teve de tentar “construir” essas explicações, e para isso criou a lógica comparativa.

É exatamente por isso que não consigo encontrar lógica no que está escrito em Levítico, Deus nos mostra naquelas palavras que  não precisamos entender o que Ele quer para cumprir o que Ele quer. Só existe resistência à Palavra quando existe um confito de interesses, os meus e os de Deus. A resistência à cumprir e aceitar com alegria o que Deus nos diz nos revela uma postura independente no coração, o que precisa ser tratado se desejamos viver unidos com Ele.

Um filho não questiona o pai sobre a procedência da comida, apenas come, alegre e confiadamente. Da mesma forma deve ser nosso coração. Precisamos entender que de fato só existe verdade em Deus, porque todo o resto é a nossa lógica, e sabemos que ela não explica tudo. Pela ciência, a Terra já foi o centro do universo, já teve o sol girando em torno de si, já foi plana, já foi redonda, hoje é geóide (achatada nos pólos) e o que será daqui a trinta anos? Podemos afirmar que continuará geóide? Eu não me arriscaria a ter tanta segurança nas impressões nos nossos falhos sentidos.

O povo de Israel rodou em círculos no deserto por quarenta anos porque era de “dura cerviz” isto é, era teimoso em se afastar do Senhor e mandar em si mesmo, e olha que aquele caminho levaria apenas sete dias se fossem apressadamente e sem interrupções! Que o Pai nos ensine a ter um coração que confia e depende dEle, que cumpre os desejos do Seu coração sem questionar ou negar, apenas entendendo que dEle procede tudo aquilo que é bom e perfeito.

Que o Senhor abençoe grandemente cada um de vocês, e conduza a cada um para perto dEle cada dia mais.

No amor do Senhor,

Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.

domingo, 11 de março de 2012

Voz nas gotas da chuva.

Algumas vezes sentimos o Senhor falando conosco, porém existem outras ocasiões nas quais temos a sensação de que Ele utiliza milhares de vozes em uníssono, nos trazendo uma mensagem muito importante. Hoje foi um dia assim para mim.

Nos últimos anos, enquanto na faculdade, enfrentei gigantes enormes para resistir firme na obra do Pai, dias de propósitos, de oração intensa por uma lista de pessoas, um grande esforço para relacionar com a Igreja, o baixo retorno financeiro das árduas aulas particulares em domicílio, enquanto ainda conciliava os assuntos da faculdade, trabalhos e provas. Não foi fácil.

Subitamente, tudo ficou mais fácil e perfeito. Fui curado de uma doença incurável e aumentei minha gama de alimentação em no mínimo 500%, O Senhor permitiu que eu conhecesse minha futura esposa, pude apresentar um trabalho importante em um congresso internacional, recebi do Pai o emprego que sempre sonhei em ter, contato com a família e com a Igreja de forma constante, um salário muito bom e tranquilidade.

Paz e tranquilidade. Que maravilha, que delícia isso tudo acontecendo, comecei a curtir cada momento, cada dia, só sorrisos e alegria. Hoje, no entanto, o Senhor trouxe uma palavra ao meu coração.

Um irmão muito querido foi usado pelo Senhor no encontro geral da Igreja em BH para fazer um paralelo entre os tempos de Noé e os tempos de hoje. Nesta palavra ele falou sobre a paz e a tranquilidade que vinham sobre os homens até o dia em que a chuva caiu e inundou todos com seus planos, idéias, propriedades e reputações. Assim como aconteceu naquele tempo será na vinda do Filho do Homem sobre as nuvens do céu.

Noé teve de se desprender de tudo para fazer aquela arca. Sem ferramentas e energia elétrica ele a construiu com cento e trinta metros de comprimento, segundo a ordem de Deus. Ele precisou abrir mão do seu tempo, do seu descanso, do seu dinheiro, da sua reputação (afinal ele era tido como um louco ao pensar que realmente ia cair chuva naquele lugar desértico) e ainda assim perseverou até o fim.

Hoje os tempos são assim também, e o Filho do Homem virá quando menos estivermos esperando. O que temos feito pelo Reino de Deus? Eu confesso, muito pouco tenho feito e me envergonho disso. Hoje vejo como a paz e a tranquilidade podem cegar e anestesiar um discípulo de Jesus. Hoje já não passo muito tempo lendo a palavra, nem jejuo com frequência, nem tampouco tenho mantido contatos de proclamação constantes, e sabe por que? Me entristeço em dizer isso, mas tenho agido como a Igreja Laodicéia. No meu íntimo do coração, não existe urgência, existe apenas a manutenção. Não existe ataque, apenas defesa, estou tranquilo, mas Deus não!

Deus nesse exato momento está triste com tantas vidas que se perdem sem conhecê-lo, se entristece ao ver como o meu coração é mal e tende a se afastar dEle quando as coisas vão bem. Nesse exato momento está caindo uma tempestade lá fora, e no meu coração é como se Deus estivesse me dizendo: Estou chorando, mas existe um teto seguro sobre você de forma que você ignora o barulho das minhas lágrimas sobre as telhas do seu orgulhoso coração!

Vejo muitas pessoas adimirando minha vida porém poucas sabem as dificuldades que enfrento comigo mesmo. Hoje mesmo um amado irmão se aproximou de mim e me disse: “Guilherme, eu gostaria de te dizer que o seu exemplo em São João del-Rei, na faculdade, anima muito aos nossos corações. É bom quando temos um testemunho palpável para assegurar o que pregamos e a vida que você teve lá foi um exemplo pra nós.” Na hora que ouvi ele dizer isso… meu coração partiu. Partiu porque embora fosse verdade que perseverei no Senhor lá, eu me assentei no sofá quando a poeira baixou. Me vi na rotina diária: Acordar > Ler a Bíblia tomando café da manhã > Sair > Trabalhar > Voltar > Tomar banho > Relaxar > Dormir.

Na época de Jesus, uma pessoa rica era aquela que tivesse muito mais do que alimento, água e roupa necessários à sobrevivência. Confesso que nessa ótica, eu sou um rico, e sabe o que Jesus disse sobre eles? Disse que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Misericórdia Senhor!

O camelo era uma corda muito grossa e desajeitada usada para amarrar grandes barcos e navios no cais, e a agulha era a fenda muito estreita formada entre as paredes das casas vizinhas. Sendo assim, o sentido da comparação é: Exige grande esforço e abnegação, perseverança e olhar fixo no alvo para um rico entrar no Reino dos Céus. A ponta da corda pode entortar no meio do caminho e então será necessária uma nova tentativa e quantas mais forem necessárias, vencendo o atrito com as paredes e a moleza da corda a dificultar o trabalho. Não é impossível, mas é difícil.

O grande problema é, nos dias de hoje, comida e roupa são das últimas coisas que nos atraem! Hoje a indústria do entretenimento invade cada pedacinho do cotidiano e atribui a nós o “direito do lazer”. Será que não existe lazer em estar com o Senhor? Será que não é divertido ouvi-lo no nosso coração e ver como Ele trabalha? Existe algo mais emocionante do que ver alguém entender o Reino de Deus e se subjugar ao governo de Cristo? A cultura e os ideais mudaram, mas nosso Deus mudou? Não! Ele permanece o mesmo para sempre!

O mais incrível é que sei que tudo o que está acontecendo comigo acontece porque Deus assim definiu, e então, algo Ele tem pra me ensinar nesse momento. Eu quero voltar a fita e destinar a Deus o que é de Deus. Ser um bom empregado, futuramente um bom marido e pai, mas antes disso, eu quero enxergar o mesmo sorriso que vi nos olhos do Pai quando na luta do cotidiano da faculdade eu me refugiava nEle, e como Davi entoava cânticos de adoração e gratidão. Quero cumprir o que Ele deseja que eu cumpra, como alguém que deseja verdadeiramente crescer no Pai, e amá-lo de todo o coração, de toda alma e de todo entendimento.

A todos que estão lendo, gostaria de que soubessem o quão falho sou, o quanto careço de oração. Eu não sou ninguém sem Ele. Antes eu era ninguém, hoje continuo ninguém. Tudo o que eu produzi, produzo e produzirei morrerá nessa Terra e apodrecerá junto com meus ossos frágeis, revelando a falibilidade do homem e de suas conquistas pessoais. A única coisa que de fato é eterna em mim e o Amor de Deus, e Ele só. Queria que pensassem em mim como o mais necessitado dos homens, o mais carente e imperfeito deles, de forma que suas orações e palavras sejam usadas por Deus para me conduzir à perfeita varonilidade, que não depende de quem sou, de onde estou, do que eu tenho, do que eu penso, porém depende unicamente de Quem Ele, Jesus Cristo, É.

Com carinho,

Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Vivendo no Espírito


Antes de te explicar o título deste post, eu gostaria de recontar uma parábola, que embora não saiba quem a tenha inventado, com certeza foi um coração que de fato aprendeu a viver no Espírito.
Certo fazendeiro tinha um belo pomar, no qual havia plantado uma bela laranjeira. Cuidadosamente a regou, adubou e podou, até que numa manhã ensolarada ao olhar pela janela viu as belas laranjas que pendiam de ramos viçosos. Se aproximou e sentiu o aroma cítrico, alimentando a expectativa no sabor daquelas frutas tão belas. Apanhou a primeira e a descascou, porém ao prová-la… bleargh! Que azeda aquela laranja! “Que falta de sorte a minha!”, pensou ele, porém mais do que prontamente apanhou outra, na esperança de que a doçura mais do que certa aliviaria aquele sabor azedo, porém era ainda pior a segunda tentativa. Uma a uma ele tentava provar algo que fizesse valer a pena todo o esforço e tempo que gastara naquela árvore, mas estavam todas ruins, todas amargas.
Na tentativa de “consertar” a laranjeira, ele arrancou cada laranja e esperou a nova safra. Quando o esperado dia chegou, toda a ansiedade foi recompensada com… laranjas ainda piores que as primeiras! Um absurdo! Como aquilo era possível? Como algo tão ruim poderia ficar ainda pior?  O que ele poderia fazer agora? Abismado, ele resolve podá-la drasticamente, na esperança de que novos galhos dessem origem a novos ramos e consequentemente novas laranjas, boas laranjas. Já dizia o ditado :“A esperança é a última que morre”, e morreu naquela nova safra, dois anos após as últimas laranjas, porém duas vezes mais amargas.
Então um grande dilema passou pelo coração daquele fazendeiro: “E se… o problema estiver na semente que plantei? O que mais eu poderia fazer?”. A angústia correu do coração para os músculos da face, esboçando a total decepção, enquanto a dura verdade se materializava no velho machado dentro do celeiro. Ele sabia naquele momento que nada poderia ser feito com aquela árvore, que todo o esforço e tempo gastos havia sido em vão, e que se ele quisesse realmente laranjas boas ele deveria cortar pela raiz a laranjeira, e plantar outra no lugar, uma nova e boa semente, uma minúscula semente, começar do zero…
De um lado da balança estavam doze anos de cuidados, um orgulho ferido e uma laranjeira imprestável. No outro lado pendiam uma semente nova, a humilhação de todos que o vissem cortar a tão gabada laranjeira, um machado a ser afiado, e muito esforço pra derrubar centenas de quilos de madeira ingrata. O que ele faria então?
Cortou. Doeu. No fim do serviço um terreno vazio. A saudade do gosto das laranjas boas que “quase” provou. A sensação de fragilidade frente a uma semente desconhecida. A esperança apenas, e a determinação em esperar de novo doze anos, não havia mais orgulho, não havia mais reputação. Era ele e a semente.
Anos se passaram, agora não mais um coração orgulhoso, não mais a prepotência no falar. A nova semente curiosamente gerara um novo fazendeiro. A esperança crescera, junto com a serenidade, e os comentários malvados dos colegas já não o feriam mais. Embora todos dissessem o contrário ele apenas acreditava na qualidade da nova semente. Mal sabia ele que aquela havia sido uma lição dada por Jesus, e aquela semente, aquela semente era um novo coração.
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“E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me.
Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á.
Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?
Ou que diria o homem em troca da sua vida?” (Marcos 8:34-37)
“Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:33)
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Somos os fazendeiros, e o nosso eu é a nossa laranjeira. Levantamos nosso ego desde o dia que nascemos, e quanto maior e mais viçosa é a “árvore do eu”, mais amargos se tornam os frutos da independência em cada ser humano. Em busca  de se tornar Deus, o homem trabalha inutilmente naquilo que já não presta, e dia após dia assina sua obra prima em cada desgraça, cada desequilíbrio e cada destruição. Aos olhos, ele se sente como se estivesse “fazendo um mundo melhor”, porém não sabe que nunca será capaz de gerar algo bom.
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“…entre os homens não há um que seja reto; todos armam ciladas para sangue; caça cada um a seu irmão com uma rede…” (Miquéias 7.2)
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A religião é uma venda na qual o homem mascara sua indepêndencia, tapa os olhos para o coração de Deus, e cria pra si uma imagem de um Deus que não fira seus interesses egocêntricos. O Nome de Jesus é colocado frente a campanhas de prosperidade e cura, afinal saúde e dinheiro quem não quer? Porém quando o assunto é o Jesus Verdadeiro, quando a cruz é de madeira, e os pregos de metal frio, então poucos homens e mulheres se levantam pra lembrar, e ainda mais escassos os que se levantam pra imitá-lo, catequizando em seus corações e atitudes as palavras do Mestre retratadas em passagens como Mc 8.34-36 e Lc 14.33.
Porém, nesse interim, a vontade de Deus é uma apenas:
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“Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.” (Atos 2:38)
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Quando aceitamos cortar a árvore do eu, o Senhor Jesus planta em nós uma nova semente, e esta é o Espírito Santo. Viver no Espírito implica em morrer a cada dia pra si mesmo, e gerar frutos bons no Senhor. Não somos nós que os geramos, mas Ele mesmo, o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus Cristo.
Viver no Espírito implica em entender que santidade não é um substantivo, é um verbo. É ação diária, e entregar a Deus a direção de toda a nossa vida, e isso constantemente. Implica em receber do Espírito aquilo que precisamos para viver na fé, tal qual um bebê depende dos pais para sobreviver.
Jesus não nos chamou para vivermos provando laranjas amargas, e passarmos a vida inteira tentando provar que pelo menos um pouquinho de nós estava certo. Jesus nos libertou naquela cruz para sermos de fato livres, livres de nós mesmos. Só existe liberdade para o coração que se prende ao Senhor, e se lança aos pés do Trono.
O caminho para o celeiro, até aquele machado, todos conhecemos. É tão simples e claro que, embora muitos tentem complicar, sabem que na verdade derrubar uma árvore é mais rápido do que vê-la crescer, porém basta ao homem o esforço de cumprir com a Palavra, e fazer do arrependimento o cotidiano.
Negar a si mesmo.
Diariamente tomar a cruz.
Perder a vida.
Renunciar a tudo.
Andar na luz.
Viver no Espírito.
Matar o eu.
Viver Jesus.
Que o Senhor te abençoe com a Presença dEle, e multiplique em nós a revelação diária da vida no Espírito.
Guilherme Wilson, discípulo de Jesus.